Quem abastece o carro já deve ter ficado pelo menos uma vez com a seguinte dúvida na hora de encher o tanque: gasolina comum ou aditivada?
Na maioria dos carros nacionais, a gasolina comum pode ser usada normalmente, embora seja preferível optar pela aditivada, que evita em parte a carbonização de partes internas do motor por apresentar aditivos detergentes e dispersantes que exercem basicamente duas funções: livrar de impurezas e manter limpo todo o sistema por onde passa o combustível nos veículos (tanque, sistema de alimentação e válvulas do motor).
Limpo e lubrificado pelos aditivos, o motor é capaz de aspirar melhor a mistura ar-combustível e queimá-la com mais eficiência, o que se traduz em números de desempenho e economia ligeiramente melhores. Mas ao contrário do que se pode pensar, a gasolina aditivada não torna o motor do carro mais potente. Suas propriedades apenas permitem que a combustão seja mais perfeita do que a da gasolina comum, fazendo com que o combustível tenha maior rendimento.
Nos carros equipados com injeção eletrônica, o uso da gasolina aditivada é mais recomendável, já que os componentes desse sistema precisam funcionar com o motor livre de impurezas. Os bicos injetores, por exemplo, devem estar sempre desobstruídos. Com a camada carbonizada no cabeçote, os sensores que detectam "batidas de pino" na câmara de combustão tendem a acusar o problema constantemente, prejudicando o desempenho. Já no caso dos modelos alimentados por carburador, de menor precisão, os efeitos causados pela gasolina comum são menos sensíveis.
Ao rodar com gasolina aditivada, os sistemas de alimentação dos veículos permanecerão mais limpos e em condições de bom funcionamento por mais tempo, diminuindo, assim, os gastos com consumo e manutenção do veículo.
Tudo isso, no entanto, teria mais validade se não convivêssemos com o fantasma da gasolina batizada, onde donos de postos acrescentam solventes à gasolina já dentro do reservatório do posto com o intuito de aumentar suas margens de lucro. Desconfie sempre dos milagres da gasolina muito barata, pois neste setor não há mágicas. Prefira postos que tenham selo de aferição do Inmetro e da ANP nas bombas, ou que pelo menos tenham os filtros reservatórios transparentes por onde o combustível passa antes de entrar no seu carro, demonstrando a cor original do combustível, que normalmente é alterada com a adição dos solventes.
Paulo Bergamini / Luiz Paulo Lopes - Motor1