EDITORIAL


 Nosso mercado viciado.

  Mercado de usados de Belém abusa das más práticas.

Nosso mercado (paraense) realmente é engraçado… para não dizer coisa pior.

Belém ainda é uma das poucas Capitais do Brasil onde ainda se avalia carros usados ou seminovos,  pelo ano de fabricação e não pelo ano-modelo. No Brasil todo é pelo ano-modelo. Mas Belém parece não ser Brasil em algumas coisas…

É incrível observar como aqueles comerciantes antigos e arcaicos da chamada “boca” conseguem monopolizar e viciar o mercado da pior maneira possível. No Brasil inteiro se usa a famosa Tabela FIPE (Fundação-Instituto de Pesquisas Econômicas) que quinzenalmente faz levantamentos de preços dos mais variados bens de consumo nas regiões ditas civilizadas e publica estes preços médios pesquisados para servirem de balisadores para o comércio, indústria e consumidores em geral. É inclusive pela Tabele FIPE que todas as seguradoras se baseiam na hora de estabelecer o valor de mercado dos automóveis segurados e suas indenizações em caso de sinistros com perda total.

Pois bem, em Belém o preço dos usados é ditado pelos “especialistas”, que invariavelmente avaliam seu carro MUITO abaixo dos valores médios do restante do Brasil. É muito comum comerciantes do Centro-Oeste , Sudeste e Sul do País virem a Belém comprar carros usados a preços de banana para revenderem em seus Estados de origem com 30 ou até 40% de lucro.

Basta reparar ali no início da Almirante Barroso, nos fundos do conjunto IAPI os caminhões cegonha que saem quase que diariamente carregados de carros usados para os mais diversos Estados.

Não bastasse esta esperteza dos comerciantes locais, ainda há outra mais escandalosa: se você é proprietário de algum veículo dos chamados New Players, aquelas marcas que se instalaram há menos tempo no País , sua situação na hora de vender seu seminovo é ainda pior. Os nossos “especialistas” tem o mau hábito de tratar todas estas novas marcas como importados, ainda que sejam fabricados aqui ou no Mercosul há muitos anos e divulgam esta informação mentirosa como se fosse verdadeira para os consumidores mais desavisados no intuito de desvalorizar ainda mais seus carros. Experimente tentar vender para um destes lojistas um  Renault, Peugeot, Citroen, Nissan, ou qualquer outra coisa que não seja Volkswagen, Ford, Fiat ou Chevrolet e você vai entender do que estou falando. A primeira frase que você vai ouvir com absoluta certeza é: “ Xi, Doutor, este carro é muito ruim de venda… “.

Um exemplo prático recente e real:  Nesta semana fui pessoalmente a uma concessionária Ford (nem precisa dizer qual, só existe uma em Belém…) pois me interessei pelo preço “promocional” do  Focus Sedan.

Pois bem, ao dizer que eu tinha um Peugeot 307 Sedan 2009 completo e com 12.000km para dar na troca, a vendedora já torceu o nariz… e chamou o dito “especialista”. Após muito olhar e avaliar o meu carro na busca de encontrar algo que pudesse baixar sua avaliação ainda mais, o rapaz veio com sua ficha em branco apenas com a observação “sem detalhes, carro 0 Km” e a irônica , para não dizer desrespeitosa avaliação de R$ 29.000,00 para pagar na troca pelo Focus.  Me levantei, agradeci e fui embora, já que a tal concessionária Ford deve ter filas de clientes ávidos por comprar aquela pechincha ano-modelo 2009 que está encalhada em seus pátios desde Novembro do ano passado.

Vejam abaixo a avaliação do mesmo carro pela tabela FIPE e que, com pequenas variações é o que se encontra nos classificados dos jornais do Sul e Sudeste:

Marca: Peugeot

Modelo: 307 Sed. Presence 1.6 Flex 16V 4p

Código Fipe: 024126-1

Ano modelo: 2009 Gasolina

Preço médio: R$ 41.203,00

Data da consulta: Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

Mês de referência: Fevereiro/2010

 

Isso mesmo, senhores, uma diferença de nada menos que 42% !!!!

Em outras palavras: Não fosse isso um crime, seria mais vantajoso ter o veículo roubado e ser indenizado pela seguradora pelo valor da Tabela FIPE do que vender o carro para os espertos comerciantes de automóveis de nossa Capital.

 

Para ficarmos ainda mais felizes, é bom lembrar que o preço dos carros 0km no Sudeste é sempre menor que o praticado por aqui.

Resumindo: Em Belém recebemos muito menos pelo nosso carro usado e ainda pagamos mais pelo novo.

 

E ainda tem gente que reclama da invasão das “bolsas de automóveis” que trazem carros de fora...

 

 

Paulo Bergamini – Motor1.

 

 

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